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domingo, 10 de junho de 2012

No fim, nada



Ontem, ao cair da tarde me deitei no chão até que a noite pousasse sobre mim e fiquei a olhar as estrelas. Comecei a contar, mas são muitas, tantas que não pude continuar, são tantas quanto as dúvidas. As dúvidas sobre o destino, sobre o tempo, sobre o futuro. Não sei se alguém pode aceitar alguém assim: que se deita ao relento e fica a tentar contar as estrelas sabendo o quão inútil está sendo seu ato.

No fim o que eu queria não era um número, mas uma resposta, queria saber se uma daquelas estrelas poderia me dar ao menos uma pista que me levasse ao fim da angústia de não saber nada. Mas nada me disseram. Não descobri nada mais do que já sabia, que tudo que tem início tem fim, que nada é eterno, apenas o céu e a terra, que somos todos poeira no vento que o tempo sopra. Não descobri se minha existência continuará um dia através de outra vida ou se tudo terá fim em meu próprio ser. Não descobri caminhos, nem destinos, nem rumos. Não descobri nada.

É certo que haverá sempre alguém me esperando, pronto para ficar ao meu lado durante minha dúvida. Sempre haverá alguém para me dar a mão quando eu tropeçar na escuridão e dizer "Está tudo bem. Eu te ajudo.", mas ainda não descobri quanto tempo dura o "sempre".

terça-feira, 26 de julho de 2011

Angústia



Me sinto abafado, inseguro, inquieto, com medo, com dor... Me sinto angustiado, meus nervos parecem pedras, estou trêmulo, as horas parecem não passar, quando passam parecem passar muito depressa.

Sinto fome, mas comer é um sacrifício, minha garganta está apertada, as ideias vão e vêm na minha cabeça como pássaros vão e vêm no céu, nenhum pensamento dura o bastante e de certa forma sou eu quem quer assim, não quero pensar no que me atordoa e não quero pensar no que não me atordoa, pois não quero esquecer.

Estou tenso, o telefone pode tocar a qualquer momento e parece que não vai tocar nunca, ensaio o que falar, ensaio o que quero escutar, penso no que acho que vou escutar, quero que o telefone toque, quero atendê-lo, quero que isso acabe logo, mas tenho medo de como isso pode acabar.

No entanto sou otimista e entre um pensamento voador e outro, visualizo um desfecho feliz.

Enquanto isso espero e continuo escrevendo...

ainda escrevendo...